Em uma decisão que representa uma nova fase na gestão do clube, os sócios do Vasco da Gama deram luz verde à venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para a Almirante Participações S/A, empresa liderada por Marcos Lamacchia. Com 90% das ações agora sob controle da companhia, o clube social se vê reduzido a apenas 10% da gestão do futebol, uma mudança significativa em relação ao modelo anterior, onde a 777 Partners detinha 70% das ações.
A aprovação pela assembleia de sócios é um marco importante e encerra as etapas internas do clube para a transição de poder. Antes disso, o Conselho Deliberativo e os Beneméritos já haviam se manifestado favoravelmente à operação. No entanto, a efetivação da venda ainda está condicionada à autorização da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), que apura um potencial conflito de interesses devido à relação de Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
A expectativa entre os dirigentes vascaínos é de que a análise da Anresf seja concluída rapidamente, permitindo que as etapas burocráticas se iniciem, como a transferência de ativos, incluindo jogadores e funcionários. Mário Junqueira, sócio da Almirante, expressou confiança no processo, afirmando que a nova gestão será focada e independente, reforçando o compromisso com a identidade do clube.
Com a venda, o Vasco também enfrenta a exigência de esclarecer suas relações financeiras com a Almirante ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que já solicitou informações sobre a operação. O clube terá até o dia 26 de outubro para apresentar os dados, sob pena de multas que podem ser severas.
O compromisso de Lamacchia com o Vasco vai além da gestão, com promessas de investimento que somam R$ 500 milhões nos próximos cinco anos para o departamento de futebol, além de melhorias na infraestrutura do centro de treinamento e das categorias de base. A Almirante também se responsabilizará por cobrir o déficit financeiro previsto e por cumprir com as obrigações impostas pela recuperação judicial do clube.
Em relação às garantias, a Almirante deverá apresentar fianças e depósitos que assegurem o cumprimento das obrigações financeiras, além de compromissos adicionais em caso de insuficiência de recursos. O acordo estabelece ainda que a SAF não poderá distribuir dividendos por dez anos e que o controle acionário estará atrelado ao pagamento das dívidas existentes.
Por fim, o estádio de São Januário permanecerá como a casa do futebol profissional até 2030, com condições específicas para o uso. Essa transição de gestão do Vasco, marcada pela venda da SAF, promete impactar significativamente o futuro do clube, que agora busca estabilidade financeira e desempenho esportivo sob a nova administração.
Crédito da imagem: Pedrinho comemora aprovação da venda da SAF do Vasco



