O goleiro Cássio, atualmente no Cruzeiro, revisita momentos marcantes e desafiadores de sua carreira, evidenciando a necessidade de se falar sobre saúde mental no esporte. Com 39 anos e uma trajetória repleta de conquistas, Cássio não fugiu das dificuldades, incluindo um período de luta contra a depressão e problemas relacionados ao consumo de álcool. Ele enfatiza a importância de quebrar tabus em torno da saúde mental, ressaltando que a vulnerabilidade é parte da vida de qualquer atleta.
Em 2016, Cássio enfrentou uma crise que o levou a perceber que o álcool estava afetando seu rendimento. O treinador Tite, então à frente do Corinthians, teve um papel fundamental nessa reflexão. O goleiro recorda de como, inicialmente, resistiu a compreender a gravidade de sua situação, mas com o tempo, percebeu que suas escolhas estavam comprometendo sua carreira. “Eu lembro que, quando ele me tirou do time, eu não aceitei. Mas, com o tempo, você vai vendo que estava indo para o fundo do poço”, revelou.
Após essa conscientização, Cássio fez mudanças significativas em sua vida, conseguindo retornar ao auge e conquistar títulos importantes. Entretanto, novos desafios surgiram, especialmente em momentos de pressão, onde críticas pesadas e ameaças à sua família afetaram sua saúde mental. “O elogio em excesso acaba te atrapalhando, assim como a crítica excessiva também te leva a outras situações”, comentou, refletindo sobre a pressão que os atletas enfrentam.
O goleiro também compartilhou um episódio marcante em que, antes de um jogo, não conseguiu conter as lágrimas. Esse momento de fragilidade o levou a buscar ajuda profissional, rompendo com o preconceito que muitas vezes envolve o acompanhamento psicológico. “E eu confesso que sempre fui meio: ah, psicólogo? Mas foi a melhor escolha que eu fiz”, disse, enfatizando a importância do cuidado com a saúde mental.
Atualmente, Cássio defende a necessidade de abordar abertamente a saúde mental no esporte e se propõe a usar sua experiência para ajudar outros a enfrentar situações semelhantes. Ele reconhece que o preconceito ainda persiste e que muitos lutam em silêncio. “Passei por um momento bem difícil, mas foi um grande aprendizado de crescimento como pessoa”, afirmou, destacando que entender seus limites e buscar ajuda são fundamentais para a recuperação.
Aos 39 anos, Cássio não apenas reflete sobre suas experiências passadas, mas também se empenha em ser uma voz ativa na luta contra o estigma em torno da saúde mental, encorajando outros atletas a se abrirem e buscarem o apoio necessário. “Eu entendi o que eu vivi naquele momento e saio muito mais fortalecido”, concluiu, reafirmando seu compromisso em ajudar aqueles que enfrentam desafios semelhantes.



