A história de Luan, ex-volante do São Paulo, é marcada por um contraste entre conquistas e desafios pessoais. Em sua primeira entrevista desde que deixou o clube, ele revelou detalhes sobre sua luta contra a depressão e problemas com álcool, desencadeados pelo afastamento do grupo que considerava sua família. A dor de treinar separado do elenco e a sensação de estar excluído foram fatores que contribuíram para seu estado emocional, algo que ele nunca imaginou viver em sua trajetória no futebol.
Ao olhar para as camisas que adornam sua casa, Luan se recorda de momentos de glória, mas também das dificuldades enfrentadas nos últimos anos. “Essas daí são de quando eu era bom”, brinca, embora seu sorriso revele a carga emocional por trás da piada. A relação com a diretoria do São Paulo e as constantes idas e vindas em sua carreira o deixaram frustrado, levando-o a um silêncio que, segundo ele, só aumentou sua angústia.
Durante a entrevista, Luan expressou sua decepção ao ser afastado após a renovação de contrato, mesmo tendo rejeitado propostas de outros clubes. “Nunca tive voz”, desabafou, enfatizando que sua intenção sempre foi permanecer e ajudar o clube. Essa ausência de diálogo e a sensação de traição se tornaram um fardo pesado, culminando em crises de pânico que o afastaram do convívio social e profissional.
A visita de colegas de equipe, que se preocuparam com seu bem-estar, apenas evidenciou o isolamento que ele sentia. “Eu me tranquei no quartinho e fiquei chorando”, relata, mostrando a profundidade de sua tristeza. Para Luan, o que mais doía não eram as lesões ou os contratos, mas a perda do vínculo emocional com o grupo. “Só queria treinar com o grupo”, disse, uma frase que encapsula sua luta por pertencimento.
O volante não se esquiva de suas falhas, reconhecendo que problemas extracampo também fizeram parte de sua jornada. O peso emocional e físico, assim como a luta contra a bebida, foram desafios que ele enfrentou em meio a uma fase obscura de sua vida. A contradição de ter renovado contrato e, logo em seguida, ser afastado, permanece como um mistério que ele ainda não conseguiu decifrar. “O que não consigo entender é que no ano passado recebi uma proposta do Botafogo, mas o Rui Costa não me liberou falando que eu tinha me recuperado”, questiona, evidenciando a falta de clareza nas decisões do clube.
O futuro de Luan ainda é incerto, mas ele segue esperançoso, buscando um novo clube que o acolha e o ajude a resgatar sua melhor forma. O São Paulo, por sua vez, permanece em seu coração, uma parte fundamental de sua identidade. “O clube moldou quem eu sou hoje e serei eternamente grato”, conclui, demonstrando que, apesar das dificuldades, o amor pela camisa continua a pulsar forte em seu peito.



